O prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Luiz Cardoso, foi afastado do cargo durante uma operação da Polícia Federal que investiga uma suposta prática de coação eleitoral no município, no Espírito Santo. A ação foi realizada em 19 de outubro de 2026 e também determinou que o chefe do Executivo municipal não acesse a sede da Prefeitura enquanto a apuração estiver em andamento.
De acordo com a Agência Brasil, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um mandado de busca pessoal. Durante a operação, os agentes apreenderam materiais de campanha. As medidas fazem parte de uma investigação que busca esclarecer se houve pressão sobre eleitores ou servidores e eventual uso da máquina pública em favor de uma organização política.
Vídeo divulgado nas redes sociais motivou apuração
A investigação começou após a divulgação, em 10 de outubro, de um vídeo nas redes sociais atribuído ao prefeito. Segundo as informações divulgadas pela Agência Brasil, no conteúdo Lastênio Luiz Cardoso teria afirmado que a derrota de seu candidato ao governo do Espírito Santo poderia provocar a demissão de aproximadamente 700 pessoas.
Ainda conforme a fonte, a fala também teria relacionado o resultado eleitoral a possíveis prejuízos para obras, serviços públicos e o comércio local. A Polícia Federal apura o contexto da declaração e se o conteúdo poderia caracterizar tentativa de influenciar o voto por meio da ameaça de perda de empregos ou de impactos na prestação de serviços municipais.
A suspeita de coação eleitoral será analisada a partir do conjunto de elementos reunidos no inquérito, incluindo o vídeo que circulou nas redes sociais e os materiais localizados durante as buscas. A operação não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade do prefeito ou de outras pessoas eventualmente investigadas.
Possível uso de serviços públicos também é investigado
Além da suposta pressão política, a apuração considera a possibilidade de serviços públicos terem sido utilizados em benefício de uma organização política. A Polícia Federal também investiga o uso de um evento público para a divulgação de propaganda eleitoral, circunstância que pode ampliar a análise sobre a relação entre a estrutura administrativa municipal e a disputa pelo governo estadual.
O afastamento do prefeito e a proibição de acesso à sede da Prefeitura são medidas determinadas no âmbito judicial da investigação. Na prática, a restrição impede o investigado de permanecer no principal espaço físico da administração municipal durante o período definido pela decisão. A pauta divulgada, no entanto, não informa a duração do afastamento nem quem assumirá interinamente o comando do município.
Prefeitura ainda não havia se manifestado
A Prefeitura de Baixo Guandu foi procurada, mas, segundo a informação disponível na publicação consultada, ainda não havia apresentado posicionamento no momento da divulgação da operação. Também não há, na fonte utilizada para esta reportagem, manifestação da defesa do prefeito ou detalhes sobre eventual resposta às suspeitas investigadas.
A ausência de uma conclusão definitiva exige que as acusações sejam tratadas como hipóteses sob apuração. O inquérito deverá reunir documentos, depoimentos e outros elementos considerados relevantes pelas autoridades responsáveis antes de qualquer decisão sobre responsabilização. Até que isso ocorra, o prefeito é investigado, e não condenado.
O que a operação apura em Baixo Guandu
Em síntese, a operação da PF em Baixo Guandu reúne quatro frentes principais: a análise do vídeo divulgado em 10 de outubro; a suspeita de coação eleitoral relacionada a possíveis demissões; a eventual utilização de serviços públicos em favor de uma organização política; e o uso de um evento público para propaganda eleitoral.
O caso chama atenção no Espírito Santo por envolver o afastamento de um prefeito e a apuração sobre possível interferência da administração municipal no processo eleitoral de 2026. Novas informações sobre o andamento do inquérito, manifestações da Prefeitura ou da defesa e decisões judiciais poderão esclarecer a extensão das medidas e os próximos passos da investigação.