Custos invisíveis da sucessão mal planejada: Rodrigo Gonçalves Pimentel mapeia o que as famílias perdem sem estrutura de governança

Rodrigo Gonçalves Pimentel
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Entre os argumentos mais poderosos em favor do planejamento sucessório antecipado está um que raramente aparece nas conversas sobre o tema: o custo de não planejar. Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, pondera que famílias que adiam a construção de uma estrutura de governança tendem a calcular apenas os custos diretos do planejamento, como honorários advocatícios, custos de constituição de estruturas societárias e tempo dedicado ao processo. O que raramente é calculado, e que representa valores muito mais expressivos, são os custos invisíveis da ausência de planejamento, que se acumulam silenciosamente até que um evento crítico os torne visíveis de forma abrupta e irreversível.

Quais são os custos financeiros diretos da sucessão sem estrutura?

O inventário judicial é o custo financeiro mais imediato e mais mensurável da sucessão mal planejada. O processo consome taxas judiciais, honorários advocatícios, custos de avaliação de ativos e tributos sobre a transmissão do patrimônio que, em estruturas patrimoniais relevantes, podem representar parcelas significativas do espólio. Em casos de inventário litigioso, em que herdeiros com interesses divergentes disputam a partilha na justiça, esses custos se multiplicam e o processo pode se estender por anos, consumindo recursos que deveriam estar sendo preservados e multiplicados para as gerações seguintes.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Há ainda o custo tributário da ausência de planejamento fiscal. Rodrigo Gonçalves Pimentel indica que estruturas patrimoniais organizadas dentro de uma holding familiar, com cotas transmitidas gradualmente em vida por meio de doações com cláusulas de usufruto, permitem uma transmissão significativamente mais eficiente do ponto de vista tributário do que a transmissão direta de bens físicos por meio de inventário. A diferença entre esses dois cenários pode representar milhões de reais a mais ou a menos no patrimônio que efetivamente chega às mãos dos herdeiros, dependendo exclusivamente de uma decisão de planejamento que poderia ter sido tomada com antecedência.

Quais são os custos operacionais que a ausência de governança gera?

Além dos custos financeiros diretos, a ausência de estrutura de governança gera custos operacionais que se manifestam ao longo de todo o período em que a empresa funciona sem regras claras de gestão e sucessão. Na avaliação de Rodrigo Gonçalves Pimentel, empresas sem conselho de administração ativo, sem separação formal entre propriedade e gestão e sem critérios objetivos de avaliação de desempenho tendem a apresentar múltiplos de valuation inferiores, taxas de juros mais elevadas nas operações de crédito e dificuldade de acesso a capital de investidores que exigem governança estruturada como condição para investir.

Esses custos não aparecem em nenhuma linha do demonstrativo de resultados, mas se acumulam ao longo do tempo em forma de oportunidades perdidas, capital mais caro e valor de mercado cronicamente abaixo do potencial real do negócio. A diferença entre o valuation de uma empresa familiar tradicional e o de uma empresa equivalente com governança profissionalizada representa, na prática, um custo invisível que o fundador paga durante toda a vida do negócio sem necessariamente identificar sua origem na ausência de estrutura.

Como os custos relacionais completam o quadro da sucessão mal planejada?

Os custos mais difíceis de quantificar, mas frequentemente os mais devastadores, são os relacionais. Rodrigo Gonçalves Pimentel aponta que conflitos entre herdeiros desencadeados por ausência de regras claras de governança não apenas consomem recursos financeiros em disputas judiciais; eles destroem relações familiares que levaram décadas para ser construídas e que, uma vez deterioradas por disputas patrimoniais, raramente se reconstroem com a mesma qualidade. O custo emocional dessas rupturas não tem valor monetário, mas seu impacto sobre a qualidade de vida de todos os envolvidos é real e duradouro.

Veja como estruturar sua governança antes que esses custos se tornem visíveis e transforme o planejamento em uma decisão estratégica tomada nos seus próprios termos. As famílias que compreendem o custo total da ausência de planejamento, incluindo os custos financeiros, operacionais e relacionais, raramente hesitam em investir na construção de uma arquitetura de governança adequada. A questão não é se esses custos vão se manifestar, mas se a família vai arcar com eles de forma planejada e controlada ou de forma abrupta e irreversível.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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