Eleitor capixaba escolherá dois senadores em outubro; entrevistas e debates começam a colocar propostas para o Estado no centro da campanha.
A disputa pelo Senado Federal entra em uma fase decisiva no Espírito Santo nesta segunda-feira (14), quando começa uma nova rodada de entrevistas com candidatos às duas vagas que estarão em jogo nas Eleições 2026. A movimentação ocorre pouco menos de três semanas antes do primeiro turno e ajuda a responder uma dúvida que cresce entre os eleitores: o que realmente faz um senador e por que a escolha pode ter impacto direto no Espírito Santo? A resposta passa por temas que vão muito além da política nacional, como recursos para infraestrutura, regras fiscais, segurança, saúde, educação e decisões que afetam a capacidade de investimento de estados e municípios.
O calendário também deixa claro que a campanha entrou em uma etapa de alta intensidade. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 14 de setembro é uma das datas importantes da reta final, inclusive para substituições de candidaturas, enquanto a propaganda eleitoral gratuita segue até 1º de outubro. No Espírito Santo, a atenção sobre o Senado aumenta porque cada eleitor terá dois votos para o cargo, e os dois candidatos mais votados serão eleitos.
Por que o Espírito Santo terá dois votos para o Senado em 2026?
A eleição deste ano é diferente daquela realizada em 2022 porque haverá renovação de dois terços do Senado. Em todo o país, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa, sendo duas vagas em cada estado e no Distrito Federal. No Espírito Santo, isso significa que o eleitor deverá escolher dois nomes para representar o Estado durante um mandato de oito anos, enquanto a terceira cadeira capixaba não estará em disputa nesta eleição.
Essa diferença costuma gerar confusão porque, nas eleições para deputado, o eleitor escolhe apenas um candidato por vez, enquanto a disputa pelo Senado funciona pelo sistema majoritário. Na prática, o capixaba poderá votar em dois candidatos diferentes e os dois mais votados ocuparão as cadeiras disponíveis. O Senado Federal explica que cada estado possui três senadores, independentemente do tamanho da população, e que o mandato é de oito anos.
A importância dessa escolha aumenta porque o Senado possui atribuições que podem interferir diretamente nas finanças e na administração dos estados. A Casa participa da aprovação de leis, analisa determinadas operações financeiras dos entes federados e possui competências exclusivas em decisões institucionais relevantes. Para o Espírito Santo, portanto, a escolha não deve ser analisada apenas pela presença do candidato em debates nacionais, mas também por sua capacidade de defender interesses estaduais em Brasília.
Entre os assuntos que podem chegar ao Senado estão regras tributárias, mudanças na legislação econômica, segurança pública, financiamento da saúde, educação, infraestrutura e decisões relacionadas às contas públicas. Para um estado com forte atividade portuária, indústria, petróleo, gás, agronegócio e turismo, a atuação dos representantes no Congresso pode ter reflexos em diferentes setores da economia capixaba. É justamente por isso que a campanha para o Senado merece ser acompanhada também por quem normalmente presta mais atenção à eleição para governador e deputado.
O que os candidatos ao Senado estão colocando em discussão no Espírito Santo?
A partir desta segunda-feira (14), entrevistas com candidatos ao Senado colocam as propostas individuais no centro do debate eleitoral. A programação divulgada por A Gazeta e CBN Vitória prevê sabatinas entre os dias 14 e 18 de setembro, com nomes que atingiram pelo menos 5% das intenções de voto na pesquisa estimulada utilizada como referência para definir a participação. Entre os entrevistados estão Renato Casagrande, Evair de Melo, Sérgio Meneguelli, Fabiano Contarato, Rose de Freitas e Maguinha Malta.
A movimentação é relevante porque o Senado é uma disputa em que dois candidatos podem ser escolhidos pelo mesmo eleitor, inclusive pertencendo a grupos políticos diferentes. Isso torna especialmente importante comparar propostas e não apenas acompanhar alianças partidárias. Uma candidatura pode defender determinada agenda econômica, enquanto outra pode concentrar sua atuação em segurança, saúde, infraestrutura, educação ou articulação de recursos federais para os municípios.
O próprio Senado destaca que os senadores representam os estados e o Distrito Federal e exercem mandato de oito anos. Entre suas competências estão, por exemplo, analisar indicações para determinados cargos de alta relevância institucional e autorizar operações financeiras externas de interesse dos entes federados. Para o eleitor capixaba, isso significa que a avaliação do candidato pode incluir uma pergunta simples: quais problemas do Espírito Santo ele pretende levar para Brasília e como pretende atuar para enfrentá-los?
Também é importante observar que a composição do Senado mudará de maneira significativa a partir de 2027. Levantamento publicado pelo próprio Senado mostra que pelo menos 22 dos atuais ocupantes das 54 cadeiras que estarão em disputa não permanecerão como titulares dessas vagas, seja porque não são candidatos, seja porque concorrem a outros cargos ou disputam como suplentes. No Espírito Santo, Fabiano Contarato e Marcos do Val aparecem entre os atuais senadores que buscam a reeleição.
O que o eleitor do ES deve observar antes de escolher os dois nomes?
Para quem ainda não definiu os dois votos, a reta final da campanha é uma oportunidade para transformar a eleição em uma comparação objetiva. Em vez de analisar apenas declarações de apoio ou posicionamentos nas redes sociais, o eleitor pode verificar quais propostas tratam de problemas concretos do Estado, como mobilidade na Grande Vitória, investimentos em rodovias, fortalecimento da saúde pública, segurança, infraestrutura portuária e desenvolvimento econômico no interior. A mesma lógica vale para áreas estratégicas, como petróleo e gás, indústria, agricultura, turismo e inovação.
Outro ponto importante é diferenciar as atribuições de senador das funções de governador, prefeito e deputado. O senador não administra diretamente uma cidade ou um estado, mas participa das decisões do Congresso e pode atuar politicamente na defesa de recursos e interesses da unidade federativa que representa. O Senado Federal mantém informações oficiais sobre suas competências, incluindo a representação dos estados e o mandato de oito anos.
Também vale acompanhar o calendário eleitoral porque a campanha já entrou em sua fase final. O TSE informa que o horário eleitoral gratuito começou em 28 de agosto e permanecerá no rádio e na televisão até 1º de outubro. Além disso, a partir de 1º de setembro, o eleitor passou a ter acesso à consulta do local de votação pelo e-Título e pelo site da Justiça Eleitoral, uma ferramenta importante para quem pretende se preparar antecipadamente para o primeiro turno.
Para o capixaba, a pergunta central neste momento pode ser mais útil do que simplesmente saber quem está na frente nas pesquisas: quais dois candidatos têm propostas mais claras para representar o Espírito Santo durante os próximos oito anos? Essa avaliação deve considerar não apenas ideologia ou alianças, mas também histórico político, atuação anterior, prioridades apresentadas e capacidade de explicar como pretende transformar suas promessas em ação no Congresso.
A escolha de dois senadores terá consequências que ultrapassam o dia da votação. Como o mandato é longo, os eleitos participarão de decisões nacionais durante praticamente toda a próxima década, período em que o Espírito Santo continuará enfrentando desafios de infraestrutura, segurança, saúde, educação e desenvolvimento econômico. A campanha desta semana, portanto, é uma oportunidade para o eleitor sair da disputa puramente partidária e entender o que cada candidatura oferece ao Estado. Com dois votos disponíveis, comparar propostas antes de entrar na cabine pode ser tão importante quanto saber quem são os candidatos.