Acesso à geriatria varia entre regiões e cria diferentes condições para envelhecer no Brasil, assevera Yuri Silva Portela 

Yuri Silva Portela
Adriana Montesa Por Adriana Montesa
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Duas pessoas podem ter a mesma idade, condições de saúde parecidas e ainda assim enfrentar trajetórias de envelhecimento completamente diferentes, dependendo unicamente de onde vivem dentro do território nacional. O Dr. Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, observa que tal questão raramente é discutida em profundidade, embora determine concretamente quais possibilidades de cuidado cada pessoa idosa tem à disposição no dia a dia.

Em uma discussão recente sobre a preparação do sistema de saúde brasileiro para o envelhecimento populacional, foi evidenciada uma concentração significativa de geriatras no Sudeste e nas capitais. Em contrapartida, Norte e Nordeste apresentam uma escassez considerável de especialistas, reforçando que o território atua como um fator determinante na qualidade do cuidado disponível para cada família.

Neste artigo, serão analisados os fatores geográficos, como distância, disponibilidade de profissionais, transporte e infraestrutura local, que influenciam as diferentes formas de envelhecimento, mesmo em um mesmo país.

Desigualdade no acesso à saúde impacta o cuidado de idosos em diferentes regiões do Brasil

A distância até serviços especializados e a disponibilidade de profissionais qualificados variam significativamente entre capitais, cidades do interior e áreas rurais, criando realidades completamente distintas para pessoas idosas com necessidades clínicas semelhantes. O doutor Yuri Silva Portela apresenta que essa desigualdade não afeta apenas o acesso a consultas, mas também a continuidade do tratamento, já que interrupções frequentes comprometem o controle de condições crônicas ao longo do tempo e aumentam o risco de complicações evitáveis.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

A combinação de transporte inadequado, renda limitada e infraestrutura precária representa um desafio significativo para o sistema de saúde, dificultando não apenas o primeiro acesso ao cuidado, mas também o acompanhamento contínuo necessário para doenças que exigem monitoramento regular e ajustes periódicos de tratamento ao longo dos anos.

Diferenças concretas entre capitais e regiões afastadas

Em grandes centros urbanos, a presença de múltiplos especialistas permite alguma flexibilidade na escolha de profissionais e horários, enquanto em municípios menores um único geriatra pode atender a uma região inteira, quando existe algum profissional disponível localmente para essa demanda. O doutor Yuri Silva Portela levanta a questão de que essa escassez obriga as famílias a percorrer longas distâncias para conseguir avaliação especializada, o que torna o acompanhamento regular um desafio logístico e financeiro para grande parte da população.

Em áreas remotas, redes comunitárias e iniciativas locais de saúde têm contribuído para a redução de parte dessa desigualdade, aproximando o atendimento básico daqueles que enfrentam maior dificuldade de deslocamento. No entanto, tais esforços não são suficientes para substituir completamente a necessidade de acesso a especialistas em casos clínicos mais complexos e específicos.

O impacto da desigualdade territorial sobre a autonomia

A vulnerabilidade social, em conjunto com a distância geográfica, gera um impacto substancialmente negativo na autonomia funcional, uma vez que a dificuldade de acesso a cuidados preventivos aumenta a probabilidade de complicações evitáveis se desenvolverem sem detecção precoce ao longo do tempo. O Doutor Yuri Silva Portela reforça que essa realidade exige políticas públicas capazes de considerar as diferenças regionais reais, em vez de soluções uniformes pensadas apenas para grandes centros urbanos bem estruturados.

Envelhecer não é uma experiência uniforme em todo o território brasileiro, e reconhecer essa desigualdade é o primeiro passo para discutir soluções que efetivamente alcancem os moradores de áreas remotas, garantindo-lhes acesso a serviços de saúde adequados, independentemente de sua localização geográfica.

A redução dessas diferenças deve ser buscada por meio do fortalecimento da atenção à saúde nos territórios mais afastados, da ampliação da oferta de profissionais e da facilitação do acesso a exames, acompanhamento e serviços de referência. É imprescindível ir além da mera ampliação da quantidade de atendimentos, sendo necessário construir uma rede capaz de acompanhar a pessoa idosa de forma contínua. Tal acompanhamento deve levar em consideração as condições econômicas, sociais e geográficas que influenciam diretamente sua possibilidade de envelhecer com autonomia.

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