Espírito Santo está entre os estados mais afetados pelo novo tarifaço dos EUA

Espírito Santo está entre os estados mais afetados pelo novo tarifaço dos EUA
Adriana Montesa Por Adriana Montesa
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Nova cobrança de 25% sobre produtos brasileiros já provoca queda nas exportações capixabas para o mercado americano.

Desde que os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros, empresários e economistas de diferentes estados passaram a se perguntar quanto essa medida pode custar para suas economias locais. No Espírito Santo, a resposta já começa a aparecer em números concretos. A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) alertou que o estado está entre os mais expostos do país a essa nova política comercial, dado o peso que o mercado americano tem historicamente nas exportações capixabas.

Como a tarifa afeta a economia capixaba

Segundo dados do Comex Stat compilados pelo Observatório da Findes, a tarifa adicional de 25%, que passou a valer em 22 de julho, atinge quase 500 produtos exportados pelo Espírito Santo aos Estados Unidos. Em 2025, os americanos foram destino de 27% das exportações capixabas, o equivalente a 2,8 bilhões de dólares, o que consolidou o país como o principal parceiro comercial do estado. Entre janeiro e junho deste ano, contudo, as exportações capixabas para os Estados Unidos já somavam cerca de 1,4 bilhão de dólares, uma queda de 17,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Mesmo com essa retração, o Espírito Santo ainda ocupa o terceiro lugar entre os estados brasileiros em percentual de exportações destinadas aos Estados Unidos e o quarto lugar em valor total exportado ao país. Setores como rochas ornamentais e agronegócio estão entre os mais sensíveis à nova cobrança, já que dependem fortemente do mercado americano para escoar sua produção.

Setores afetados e sinais de alívio

O setor de rochas naturais aparece como um dos mais vulneráveis, respondendo por cerca de 28% das exportações capixabas atingidas pela tarifa. Já o agronegócio recebeu uma notícia mais favorável: o café solúvel, um dos principais produtos exportados pelo estado, entrou na lista de exceções divulgada pelo governo americano, o que reduz parte do impacto esperado sobre o setor cafeeiro. Ainda assim, itens como açúcar, etanol e celulose solúvel de alta pureza continuam sujeitos à alíquota de 25%, o que pode reduzir sua competitividade nos Estados Unidos.

O presidente da Findes, Paulo Baraona, afirmou que a entidade, em alinhamento com a Confederação Nacional da Indústria, defende que a solução para o impasse comercial passe por diálogo e negociação entre os dois países. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos possuem cadeias produtivas altamente integradas, o que torna a imposição de tarifas adicionais prejudicial para empresas dos dois lados.

Diante desse cenário, o governo federal já estuda medidas para amenizar os efeitos da tarifa sobre a economia capixaba, incluindo linhas de crédito voltadas a empresas exportadoras. Para quem depende direta ou indiretamente do comércio exterior no Espírito Santo, o desenrolar dessas negociações nos próximos meses deve definir o tamanho real do impacto sobre empregos, investimentos e a competitividade dos produtos capixabas no mercado internacional.

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