Espírito Santo concentra quase 70% da área de café conilon do Brasil

Espírito Santo concentra quase 70% da área de café conilon do Brasil
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Levantamento da Fecomércio-ES mostra que o estado lidera a produção nacional da variedade e sustenta a renda de dezenas de milhares de famílias.

Muita gente já ouviu falar que o Espírito Santo é o principal produtor de café conilon do país, mas poucos sabem exatamente o tamanho dessa liderança e o que ela representa para a economia capixaba. Um levantamento recente do Connect Fecomércio-ES, batizado de “Especial Café: Retrato da Economia”, trouxe números que ajudam a dimensionar essa importância. O estudo reúne dados de instituições como Incaper, IBGE, Conab, Organização Internacional do Café e Ministério do Trabalho e Emprego, oferecendo um retrato atualizado de como o café movimenta o campo e a renda das famílias capixabas.

O tamanho da liderança capixaba na produção de conilon

De acordo com o levantamento, o Espírito Santo concentra 69,1% de toda a área cultivada de conilon no Brasil, o equivalente a 286,7 mil hectares, além de responder por 65,4% da produção nacional da variedade. O estado também ocupa a segunda posição no país em área total destinada ao cultivo de café, somando 424,8 mil hectares entre conilon e arábica. Desse total, 138,1 mil hectares são de arábica, espécie na qual o Espírito Santo aparece na terceira posição nacional.

Esses números confirmam uma tendência que já vinha sendo observada em anos anteriores por instituições como o Incaper e a Embrapa, que também apontam o estado como responsável por cerca de 70% da produção nacional de conilon. A variedade é a principal matéria-prima do café solúvel, o que aproxima o campo capixaba de indústrias voltadas à exportação desse produto processado.

Impacto social e geração de empregos no campo

O levantamento da Fecomércio-ES revela ainda que aproximadamente 131 mil famílias participam da cadeia produtiva do café no Espírito Santo. A atividade está presente em praticamente todos os municípios do estado, com exceção de Vitória, reunindo cerca de 60 mil propriedades rurais, o que corresponde a dois terços de todas as propriedades agrícolas capixabas. Outro dado relevante é a presença forte da agricultura familiar: cerca de 73% dos produtores de café pertencem a esse segmento, o que reforça a importância social da atividade para a manutenção da renda no meio rural.

O cultivo também tem se mostrado relevante para o mercado de trabalho formal. Somente entre abril e maio deste ano, período de intensificação da colheita, a cafeicultura gerou 8.065 empregos formais no Espírito Santo. Esse tipo de dado mostra que o café não é apenas um símbolo cultural do capixaba, mas também um motor concreto de emprego e renda em boa parte do interior do estado.

Diante desses números, fica claro por que o café segue como um dos principais pilares da economia capixaba, ao lado de setores como rochas ornamentais e portos. A força do conilon está diretamente ligada à geografia e ao clima do estado, fatores que favorecem essa cultivar específica. Para quem mora ou trabalha no Espírito Santo, entender essa liderança ajuda a explicar por que decisões econômicas relacionadas ao setor cafeeiro, como tarifas de exportação ou políticas de crédito rural, costumam ter repercussão direta na vida de milhares de famílias espalhadas pelos municípios capixabas.

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