Investimentos em dragagem, calado e novos terminais buscam atrair supernavios e fortalecer o comércio exterior capixaba.
O Espírito Santo vive um momento de expansão portuária que promete mudar a forma como o estado se conecta ao comércio internacional. Terminais na Baía de Vitória anunciaram obras para ampliar área de armazenagem, aumentar a largura permitida para embarcações e reduzir a dependência de caminhões na movimentação de cargas. A pergunta que fica para quem acompanha a economia capixaba é simples: o que essas mudanças representam na prática, tanto para as empresas exportadoras quanto para o custo de produtos que chegam ao consumidor final? Os dados divulgados por operadores portuários e pela imprensa especializada ajudam a entender o tamanho da transformação em curso.
Expansão do Terminal de Vila Velha aumenta capacidade de contêineres
O Terminal Portuário de Vila Velha, único do Espírito Santo a operar contêineres, teve sua expansão liberada pela Receita Federal. A área do terminal, administrado pela Log-In Logística, passa de 103 mil metros quadrados para mais de 168 mil metros quadrados, um crescimento superior a 60%. Segundo o diretor-geral de Terminais da Log-In, Gustavo Paixão, os investimentos recentes em equipamentos já haviam elevado a eficiência da operação, mas faltava espaço físico para dar o próximo passo.
A meta da empresa é alcançar 85% da capacidade instalada até o fim de 2026, um objetivo que depende também da retomada da operação ferroviária dentro do porto. Outro ponto de atenção é o calado das embarcações: hoje, a largura máxima permitida em Vitória é de 32,49 metros, o que restringe a operação a apenas quatro navios da frota da Log-In. Com a ampliação para 37,5 metros, o terminal poderia receber todos os nove navios da companhia, incluindo os que fazem cabotagem em outras regiões do país.
Novas operações reduzem uso de caminhões e aumentam volume de cargas
Outra mudança relevante ocorre na movimentação de ferro-gusa. A Vports, responsável por parte da operação no Complexo Portuário de Vitória, implementou uma estrutura chamada moega, que permite descarregar produtos transportados por trem diretamente nos navios, sem a necessidade de caminhões. Os primeiros trens começaram a circular em julho, com embarques previstos para agosto. No primeiro trimestre deste ano, a movimentação de gusa pelo estado já havia crescido 94% na comparação com o mesmo período de 2025.
O aumento no tamanho das embarcações autorizadas a entrar na Baía de Vitória também impactou outros tipos de carga. Segundo dados divulgados pela própria Vports, essa mudança mais que dobrou a quantidade de navios aptos a operar nos terminais da empresa. A importação de trigo, por exemplo, cresceu 291% no período analisado, um sinal de que a ampliação da capacidade portuária tem efeito direto sobre produtos essenciais ao abastecimento interno.
Estado se posiciona para receber navios de grande porte
Além das obras em terminais já existentes, o Espírito Santo também avança em projetos voltados a atrair os chamados supernavios, embarcações de grande porte que exigem infraestrutura específica de dragagem e proteção contra ondas. Um dos empreendimentos em construção no estado já concluiu o quebra-mar norte e cerca de 70% da primeira fase da dragagem, com inauguração prevista para meados deste ano. A expectativa de quem acompanha o setor é que esse tipo de estrutura amplie a capacidade do estado de competir com outros portos brasileiros na atração de cargas internacionais.
Esses movimentos, somados, mostram um estado que aposta na logística portuária como um dos pilares de sua economia. Rochas naturais, minério de ferro, café e outros produtos capixabas dependem diretamente da eficiência dos portos para chegar a compradores no Brasil e no exterior, o que torna esses investimentos um tema de interesse direto para trabalhadores e empresários da região.
A expansão portuária no Espírito Santo ainda está em andamento, com prazos que se estendem até o fim de 2026. Para o cidadão comum, o reflexo mais perceptível tende a aparecer de forma indireta, na geração de empregos ligados à logística e no potencial de preços mais competitivos para produtos importados e exportados. Já para o setor produtivo capixaba, a ampliação de área, calado e capacidade ferroviária representa uma oportunidade concreta de aumentar a presença do estado no comércio internacional. Acompanhar o andamento dessas obras seguirá sendo relevante nos próximos meses, à medida que os novos terminais entrarem efetivamente em operação.
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